UNUS MUNDUS
Susana CostaEQUILÍBRIO DIALOGO ENTRE O RACIONAL E A INTUIÇÃO
EQUILÍBRIO DIALOGO ENTRE O RACIONAL E A INTUIÇÃO
INTUIÇÃO
O que pretendes?
RACIONAL
Sou a voz do teu eco! Chamo-te para a realidade. Consegues ouvir-me?
INTUIÇÃO
Sim. Mas na verdade, realmente não te quero escutar!
RACIONAL
Porque, foges assim de mim? Afinal, também sou parte de ti.
INTUIÇÃO
Não estou a fugir, estou simplesmente a ignorar-te não me serve para nada, Voz da razão! Se não for por ti, passo o tempo a voar por entre as vagas gigantescas da minha imaginação. Porque me chamas? Queres companhia? Pois, esqueci-me. A voz do raciocínio só pode existir se algo lhe fizer companhia. Se for ao contrário, perde a razão. Deixa de haver algo por onde ele se possa comparar e ajuizar! Esquece-se sempre que foi algo sem razão que o criou!
RACIONAL
Mas… Somos o mesmo ser! Não me podes negar!
INTUIÇÃO
Sim. Não posso negar, que habitamos o mesmo corpo, criando dualidade incoerente. Faz-me pensar se realmente existe um verdadeiro equilíbrio, entre tal dualidade.
RACIONAL
É uma guerra!
INTUIÇÃO
Sim é! Infelizmente! O equilíbrio vem da troca das exactas proporções entre os intervenientes. Em nós, a guerra reina. O mais forte que se impõe a todo o custo ao mais fraco, pois não querer ser uma coisa nem outra…Esta parte de nós, não me agrada, nem faz parte de mim! Eu não consigo alcançar equilíbrio algum contigo.
RACIONAL
Tu nunca colaboras comigo!
INTUIÇÃO
Pois, claro que não! És tão lógico?! Como é que me queres??… Como é que queres que eu queira ser algo contigo? Eu não desejo isso! Eu quero poder navegar pelos mares da imaginação, juntar conceitos e deles fazer belos pratos sumarentos de ilusão e brincadeira. No intuito de poder alimentar a minha mente! Porque tu nunca te dignas a fazer planos, ai, na realidade que me incluam. Apenas desejas a todo o custo analisar dados e mais dados de processos incompletos pela falta de amor, atenção, etc. É patético!
RACIONAL
Também não é bem assim. Eu esforço-me imenso para tentar agradar-te. Mas não há nada que te satisfaça. Não compreendes que a única coisa que te poderá satisfazer, sou eu. É o nosso iminente estado caótico que te faz sentir incompleta. Como se te falta-se um bocado. Algo que nunca consegues encontrar por mais que te esforces.
INTUIÇÃO
Não, não é bem isso. A minha insatisfação apenas vem de ti. Bates à porta sempre na altura errada, sempre a perguntar porquê. É devastador. Estou farta! Porque é que tem de haver um porquê para tudo?
RACIONAL
Desta vez, não faço as pazes contigo! Vamo-nos dividir, não se fala mais do assunto. Não quero viver em dois mundos ao mesmo tempo. Ou um ou o outro! Escolhes tu. Ou, eu?
INTUIÇÃO
Retornamos ao mesmo problema! Estás sempre a pensar no que escolher. No que te irá dar mais prazer. Não compreendes que a maior brincadeira de todas é a própria vida. Poder escolher e depois logo se vê. Porque as coisas são aquilo que fazemos delas. Mas para ti não é assim. És tão pessimista que me chega a enojar. Põem uma coisa na tua cabeça: não se escolhe, aproveita-se o que se tem e o que nos é apresentado. Brinca-se e sorri-se perante aquilo que não se gosta. Essa é a atitude!
RACIONAL
Acho que não nos podemos dividir. Pensando bem não me parece que funcione assim. Porque tu não existe sem mim, eu não existo sem ti. Porque somos a mesma coisa.
INTUIÇÃO
Não, não senhor. Eu sou a intuição como também a imaginação, e tu o Raciocínio, dás voz a razão. Fazemos parte do mesmo corpo, mas não somos o mesmo. Como vês, eu compreendo melhor o que se passa do que tu, insignificante razão de ser, questionas tudo em vez de abraçares a vida e os seus infinitos tesouros.
RACIONAL
Nada na vida pode ser descrito a não ser pela sua análise, é exactamente por isso que necessitas de mim. Queiras ou não estamos presos um ao outro. Sendo extremidades de um mesmo ser. Estou triste contigo!
Pois, és tu que não estás a compreender, que sou eu o racional que te dá acesso aos fantásticos e simples conceitos que usas para navegares pelos teus infindáveis mares de tormentos. Sim são tormentos! Pelo menos para mim. Tu nunca sabes distinguir, nunca sabes quando é a altura devida de parar. E depois envergonhas-me aqui na realidade onde infelizmente ninguém perde tempo a perguntar porquê. No fundo eu dou-lhes razão, não podemos parar e pensar no porquê dos outros o tempo todo, senão ficamos sem tempo para nós. Afinal é tudo uma questão de adaptação, tal como é a evolução. Só queria dar-me bem contigo. Mas nunca poderá haver tréguas com um génio assim.
INTUIÇÃO
Caro amigo. Tens de compreender que as emoções são para ser vividas, não para serem compreendidas. Isso tira-lhes a essência de ser. É isso que tu não compreendes. É por isso que queres que nos separemos! Tu que és a voz da Razão, responde-me então a essa simples questão: Como é que nos podemos dividir, sem nos aniquilarmos? Eu sei a resposta. Mas não a digo, como é lógico, ahahahah. Se te disser o romance acaba.
RACIONAL
Ah! Pois acaba. Não há dúvidas disso. Não estás entender que sou eu que te providencio essa necessidade quase frenética de imaginares, porque tu és aquilo que eu desejo ser. Eu também não gosto do mundo como ele é. Mas tenho de me adaptar pela simples razão que o mundo é como é, e eu tal como tu, apenas somos uma partícula minúscula desse mesmo mundo. Intuição ouve o que te digo. Tens de te focar, não te deves alienar do mundo lá fora, pois ele é a tua fonte de inspiração. E quem te alimenta sou eu. E vice-versa. Alimento-me com esperança, de um dia poder satisfazer os teus caprichos.
INTUIÇÃO
Não te desculpes. Vá, arranja uma resposta para a questão que te coloquei.
RACIONAL
De momento não sei! Mas espera mais um pouco, assim que descobrir logo te direi.
INTUIÇÃO
Não, tem de ser agora. Pois tu queres equilíbrio, não é?
RACIONAL
Sim, é isso mesmo.
INTUIÇÃO
Espera deixa-me falar! Tu queres equilíbrio como quem estala os dedos. Tu deverias saber que o estado de equilíbrio é uma adaptação, uma aprendizagem. Não é chegar um dia e dizer que devemos de nos entender. Porque isso não é equilíbrio mas sim coacção.
RACIONAL
Agora dizes que te quero coagir? Que te estou a obrigar??? Não o estou! Como podes pensar isso?
INTUIÇÃO
Meu caro amigo, eu não penso, não avalio! Apenas sinto! Como não estou preparada para cedências, sinto que estás a impor algo sobre mim, e eu não gosto como é simples de compreender.
RACIONAL
Não consigo acreditar que seja essa a tua opinião!?!? Estou estupefacto!? Como podes pensar isso de mim? Afinal também sou parte de ti, sua ingrata!
INTUIÇÃO
Ingrata? Volto a dizer que eu não penso como tal não julgo! Não tenho essa capacidade, ainda bem! A função critica apenas a ti pertence. Eu apenas falo a verdade do sentimento. Eu englobo! Mas se tens dificuldade em me compreender, é melhor pararmos com a conversa. Pois não iremos chegar a consenso algum. Eu compreendo-te, mas tu ao que me parece ainda não entendes nada da minha essência.
RACIONAL
Se é assim que me encaras, será melhor ficarmos por aqui antes que eu perca as estribeiras!
INTUIÇÃO
Acalma-te. Deixa-me projectar como é te vou dizer isto para que entendas.
RACIONAL
Mais uma tentativa. Espero que esta não seja frustrada…
INTUIÇÃO
Feliz ou infelizmente estamos encerrados neste corpo. O que queres fazer? Não podes fazer nada! Esse dito equilibro que tanto anseias é um processo natural. Não existe nada nem ninguém que o possa infligir ou mesmo infringir. Ele é por si só. Isto quer dizer que ele acontece ao seu próprio ritmo. É uma aprendizagem.
RACIONAL
Sim. Talvez seja isso. Eu não compreendo, como podemos ser tão diferentes. Depois no fim estamos encerrados dentro do mesmo pacote. O que é que isso quer dizer?
INTUIÇÃO
Eu ensino-te o que não é palpável, tu ensinas-me o que é concreto. Embora as situações ou realidades onde nós nos encontramos sejam diferentes, nós somos sempre validos. Pois representamos um determinado universo de acção. Mas é através do nosso equilíbrio que o humano onde nos encontramos tem acesso aquilo que eles chamam de realidade dual, que é o limiar entre o concreto que é representado por ti e o sonho a adivinhação a imaginação que sou eu que lhe incuto, ele assim passa a ser portador da dadiva do poder criador.
RACIONAL
Sim… o equilíbrio, talvez seja ele o meu Paraíso.
INTUIÇÃO
Sim é! Mas tens de compreender que o equilíbrio não se dá pela força, ele é um processo espontâneo. Além disso eu pessoalmente nunca achei a pressa e a força algo de produtivo, muito pelo contrário.
RACIONAL
Quando falas em equilíbrio, vejo sempre a imagem de alguém que dita uma medida a ser achada. Depois vem outro alguém com uma fita medir o comprimento de tudo a sua volta na tentativa de encontrar meio-termo.
INTUIÇÃO
Estou cansada. Tu também estás. E o humano que é a nossa casa está exausto. Racional o que é preciso é ter calma e sabedoria e uma consciência limpa, o resto vem com o tempo. E tu sabes que ele é infinito.
5 Comentários »
excelente…
Esta ‘e a voz do Mestre Interior!
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Como prometi, aqui estou.
É meu hábito ter esse tipo de “conversa” com os meus “amigos”. A “impulsividade” é a mais chata, embora o “bom-senso” as vezes também me tire do sério. Enfim… seguem-me por todo lado!
Beijos…