UNUS MUNDUS

Susana Costa

Arquivo para OS SEM NOME

Existem momentos sem tempo. Um momento sem nada. Onde tudo converge em si, em nós. Um momento que não se recorda. Um momento alado. Onde imagens, memorias e conceitos se unem. Num espaço sem espaço. Num tempo sem tempo.

O Desejo, O desejo…

Não pensar. Não pensar. Não pensar.

As palavras desaparecem por entre a língua.

Saem distorcidas, contraídas.

Associação paralela.

A tepidez da maré.

Uma mordaça invisível.

O desejo. O desejo.

O mundo das imagens inconscientes.

Imaginar, conjugar.

Saber, beber-te.

Não pensar, não pensar…

Nós incompletos de beijos, incorrectos.

Rodopiar, desmaiar. Euforia. Desanimo.

Perguntas, respostas.

Beijos sôfregos.

Uma mordaça invisível.

Não consigo escrever.

Detesto páginas lentas, adoro compor mil e uma coisa.

O caçador de sonhos.

Deitado no asfalto. Rendido, adormecido. Atado a ele mesmo.

O caçador de sonhos deitado nu no asfalto.

A morte súbita do amanhã. A crença morreu.

O pensamento rodopia em círculos invisíveis.

Desvanece em ondas súbitas de um mar atormentado.

Correr por entre o breu. Uma estrada escura.

A estética corrompida pela diferença.

Sonhar a musica, a banda sonora.

Movimento.

Movimento.

Velocidade.

Tudo se encontra distorcido.

Quero escrever uma história.

Principio meio e fim.

E só sai o início e fim.

A estranheza das expressões faciais.

O contorno dos lábios.A intensidade, a intensidade é…

Ilusão da mesma ilusão.

Talvez uma ilusão em comum seja amor.

Talvez uma ilusão seja toda a realidade.

Envoltos em espectros de plasma.
Surraram segredos ao ouvido.
O beijo arredio do destino
Que traçamos.
Soluços inocentados em prol da libido sazonal
Sufocar em mim, em ti, em nós.
Nós de anseio corporizado.
A impossibilidade de ligar pontos cardeais.
Opostos complementares.
Memoria semântica.
O mundo é louco… volve em nós incompletos.
Dragões energéticos. Cornucópias aladas, plasmáticas.
O magnetismo do olhar, a memoria de trabalho.
A memoria.
Querer amar o que não tem amor para dar.
Um espectro.
Sentir, este sentimento inquieto.
E tudo o que se pode fazer, já foi feito.
Recordar.
A memória é tão traiçoeira.
A lembrança que não se clarifica.
A esperança jaz, na memória.
O facto de não conseguirmos recordar X evento.
Uma parte de mim. Uma memória por se revelar.

A cortesia do momento cavalga sobre o cavalo hirto da memória. Em busca de alento e sedenta pela mágoa. O deslumbramento da mente está acima do nada. Impossibilidade tortuosa, sonhar, imaginar. A contingência do momento cego.

A ermida da memória.
O traço do horizonte em espasmos.
Nós:somos a ermida da memória.
Sem nós ela não seria evocada.
Muitos, dadas, passam na mente.
A inevitável procura da resposta.
Leva-nos por marés utópicas de sonhos jamais sonhados.
Marés neptunianas, arredias. Irreais.
Subterfúgio.
Medo de não se conseguir encontrar a razão.
O inicio do inicio.
Para poder dizer:
Começa aqui e acaba ali.
Será isso satisfaz?

A memória é a capacidade de reteremos fragmentos instantâneos.

Escrever, num quarto escuro.
Palavras de luz encadeadas,
pelo o suor da imaginação imaginada.
Desenhar um auto-carro,
numa viagem enigmática.
O enigma da lua cruza a procura.
Correr pelo o vocabulário…
não conseguir encontrar uma só palavra.
As imagens que não se conformam.
E gritam por liberdade.
Uivam uma a uma, mas as palavras,
não se alinham.
Rodopiam, agitadas.
Na mente desolada
por um turbilhão de ideias
mal assimiladas.
Escrever,
escrever,
escrever,
num quarto escuro,
dentro da memória do passado…

O sensual que custa a sair. As graciosidades da inevitabilidade do amor. O corrupio da pressão sanguínea. Sentir em demasia. Sentir demais. Concretamente demais. Fugir. Percorrer avenidas de circulares de pensamentos endiabrados. Desejos, mil e um desejos. Como se fossem balões de uma feira, que andam de mão em mão. Os balões de hélio. Que fogem das mãos. Vidas de algodão doce. Estradas infinitas de seda. O poder do sonho. A capacidade da memória nos comandar o destino. E nos vedar o caminho.

Eu e tu, nós. Eu, tu, nós. Um buraco negro, sustentado pela velocidade a que as estrelas viajam. Uma galaxia recem nascida. Acrescida de salpicos dos restos da sua fornalha. Um estrela que se divide em mil e um pedaços. A morte e vida associados. A dualidade que nos impregna o sentimento de pender para ambos os lados.

Porque sim.
Porque não.
Porque isto é aquilo, e porque aquilo não é isto.
Porque eu digo isto, e aquilo.
Porque eu faço assim, e faço como faço.
Porque se eu quero aquilo, em vez de aqueloutro.
Se não existem normas.
Porquê existem modos de fazer uma coisa?
No mundo dos ses, tudo é possível.
Na “realidade” tudo é possível dentro dos limites da possibilidade.
Atingindo o grau de inimaginável
A, não é B. Porque B não é A.
Podemos sempre juntar A e B.
Podemos os agrupar, de diversos modos.
No entanto a norma por vezes cinge a possibilidade de algo.
Porque não.
Porque sim.

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